Americanizados

sábado, 10 de maio de 2008


Meus amigos só querem ver filmes produzidos nos Estados Unidos. Quando proponho ver um filme brazuca, um latino ou um Europeu, torcem logo o nariz, prevendo o que seria, em suas imaginações, duas horas de martírio cinematográfico.
Eles não percebem que foram adestrados para ingerirem apenas um tipo de comida, como os cães.

Mal sabem eles que, quando o cão prova o osso repleto da carne suculenta, dificilmente volta para a ração com a felicidade de outrora.

Foram ensinados a irem ao cinema somente para divertimento fútil. Alguns dizem: "quando vou ao cinema não quero pensar, bastam as mazelas do trabalho". É triste perceber que, para estas pessoas, pensar não é divertido. Elas estão muito enganadas!

O meu filme predileto é uma produção Italiana chamada "O carteiro e o Poeta", com roteiro adaptado do livro do escritor Chileno Antônio Skarmeta. Conta a estória de Mario, um carteiro que, ao fazer amizade com o grande poeta Pablo Neruda (então exilado político), vira seu carteiro particular e acredita que ele pode se tornar seu cúmplice para conquistar o coração de uma donzela. Descobre, assim, a poesia que sempre existiu em si. Só pela fotografia o filme já vale muito, pois foi filmado em uma belíssima ilha.

Mas vou contar-lhes uma história que aconteceu comigo e me deixou furioso na época. Eu cursava Direito na Universidade e, em uma noite, na hora do intervalo, apareceu uma colega que cursava letras, toda espevitada, xingando o professor por ter ousado passar para os alunos, em plena, aula um filme Europeu antigo. Ela dizia que nem o seu bisavô teria estômago para assitir.

E não é que o filme desgostado era o que elegi como o mais excelente de todos! De súbito, disparei contra-argumentando, tentando fazê-la entender a beleza de tão indispensável filme. Não obtive êxito. Ela nunca entenderia, pois ela já tinha um padrão de como deveriam ser os filmes em sua preguiçosa mente e não aceitava nada além dele.

Preciso confessar pessoal: sinto-me profundamente solitário ao ter que visitar uma locadora para escolher um filme para ser visto juntamente com um grupo de amigos. Geralmente é assim, mas existem valiosas exceções, há amigos que gostam de provar outras refeições.

Mas preciso ser justo, é claro que gosto dos filmes produzidos nos Estados Unidos, afinal, é a maior indústria de cinema do mundo. Sou um pouco americanizado, como todos nós "brazileiros".
O problema está na palavra "indústria", pois alguns filmes são feitos apenas para vender e não têm nada para oferecer além de explosões magníficas, sexo mal feito, estórias piegas e efeitos que não possuem nada de especiais.

Para estes que viveram até hoje tragando a mesma velha ração, está na hora de provarem outras refeições e perceberem que se tratam de verdadeiros banquetes intelectuais e sensoriais.

Para vocês corajosos, deixo uma bonita lista de filmes (não Estadunidenses) que, para mim, são essenciais. Para cinéfilos, poderão parecer obviedades, não me importo, pois não escrevo para especialistas, mas para pessoas que procuram banquetes no lugar da insossa ração habitual.

A Lista:
Obs: Abaixo de cada nome tem um atalho para você clicar se quiser saber mais sobre o filme.

Adeus, Lênin!
País de origem: Alemanha

Central do Brasil
País de origem: Brasil

Cinema Paradiso
País de origem: Itália
http://www.adorocinema.com/filmes/cinema-paradiso/cinema-paradiso.htm

Diários de Motocicleta
País de Origem: Argentina, Brasil, Chile, Perú e outros.
http://www.adorocinema.com/filmes/diarios-de-motocicleta/diarios-de-motocicleta.htm

O fabuloso destino de Amélie Poulain
País de Origem: França

A vida é Bela
País de Origem: Itália
http://www.adorocinema.com/filmes/vida-e-bela/vida-e-bela.asp

Bicho de Sete Cabeças
País de Origem: Brasil
Achados e Perdidos
País de Origem: Brasil



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Atualizado em 25/07/2008
Ouça o comentário de Arnaldo Jabor, sobre o mercado do cinema Brasileiro e sobre o filme "Nome Próprio", lançado recentemente no Brasil:

3 comentários

Walter Nevola disse...

Agora você me pegou no pulo. Imagina que hoje, programei com o Fi, Florinha, Betão e Leila, ir assistir "Speed Racer", mas tenho os meus motivos, quando criança era admirador do desenho, sabe aqueles de todos os dias no mesmo horário e `Bat Canal´. Bem, eu entendo o que dizes, valorizar o que é nosso e apreciar obras primas cinematográficas do mundo inteiro, afinal, são culturas diferentes e pode muito enriquecer uma pessoa. Sou bem assim com você, poucas vezes encontro eco nas minhas preferências, mas a essência de cada um determina o gosto, as pessoas que nos cercam no decorrer da vida, os ambientes freqüentados e as nossas buscas e interesses determinam e muito. Crescemos e formamos o nosso interior e sempre vamos ao encontro de tudo que buscamos. Sabe Tiago o que nos deixa aborrecidos, é que tem pessoas que não alternam, não variam e só sugam tudo que lhes é imposto. Aí vem muitos outros que absorvem o mesmo, formam uma massas sólida e compacta que dá origem ao “enlatado popular”. Bem, é isso que vejo e espero que nosso amigos vejam em nossas atitudes um grande estímulo para buscar o novo e não ter medo de ser autêntico. Abraço amigo.

14 Maio, 2008
Miriam disse...

Eu conheci filmes de outros países sob sa influência, e até hoje quase todos são muito bons. Só lembro de um que não gostei, aquele da Aspirina. Mas O carteiro e o Poeta também se tornou um dos meus preferidos (alias poderiamos ver de novo) A dona da história. è muito bom aprender com vc. No entanto, na maioria prefiro mesmo os americanos, ou melhor, estadunidenses. Quem sabe daqui uns anos posso mudar a minha preferência.

14 Maio, 2008
Levati disse...

Interessante esta sua lista. Assisti quase todos, gostei da maioria. Mas me permita discordar. Considero-os filmes europeus com um "Q" de Hollywood. Até porque ser "hollywoodiano" não é ruim. Te desafio a escrever um texto sobre os Estados Unidos, de uma outra ótica, a ótica de Mark Twain, de John Reed entre outros gênios da Literatura, Cinema e Música. bom, mas vou aguardar o texto sobre os EUA pra comentar. sobre os filmes europeus é obrigatória citar Fellini, Antonioni e principalmente o sueco Ingmar Bergman, O SÉTIMO SELO e MORANGOS SILVESTRES são explendidos.

22 Janeiro, 2009