Um dia desses estava remexendo minha estante de livros, procurando alguma leitura que silenciasse a inquietação interior que me acomete de quando em quando. Geralmente eu pego um Neruda, ou um Vinícius. A poesia sempre me alimenta. Mas naquele dia minhas mãos foram de encontro a um pequeno livro que ganhei de presente de uma amiga há alguns anos.
O livro é uma coletânea de poesias e prosas do 1º Concurso Literário de Dourados. Ali, entre várias poesias que falavam da minha cidade, encontrei uma que me tocou profundamente. O Autor chama-se Aldair Lucas e o nome da poesia é “A Feira”.
Todo Sábado e Domingo acontece, em Dourados, uma Feira na rua Cuiabá, a maior feira de alimentos da cidade. A Feira recebe a visita de centenas de pessoas, que vão comprar o alimento para o almoço do final de semana em família. Outros vão apenas para aproveitar a feira, comer pastéis e outras guloseimas servidas nas barraquinhas dos Japoneses, ou mesmo passear com a família, o que já é muito gostoso.
Eu, particularmente, tenho uma forte ligação com a Feira da Cuiabá, porque, namorei uma garota que morava na rua da feira, bem no miolo. Naqueles três anos freqüentei a feira todo o final de semana, já que tinha que passar por ela para chegar na casa da namorada. Às vezes a feira era um estorvo: meninos pedindo um troco para cuidar o carro; dificuldade de chegar no meu destino, desviando das barracas e das pessoas; o cheiro forte de verduras e frutas passadas jogadas no chão. Mas, em outras vezes, era gratificante. Quando queríamos comer churros quentinho, ou Cuca feita na hora, era só atravessar a rua. E, na feira, eu fazia amizades e encontrava colegas que aproveitavam a tarde nas barraquinhas.
O namoro acabou, mas a Feira continua lá, perseverante. Guardo com saudades aqueles anos em que a Feira fazia parte da minha vida semanalmente.
A poesia da Feira me sensibilizou tanto, que entrei em contato com o escritor Aldair Lucas, para publicar sua poesia em meu site, pois, infelizmente, poucas pessoas têm acesso ao livro do Concurso.
Deliciem-se.
Tenho certeza que muitos de vocês vão querer visitar a Feira de sua Cidade.
A Feira
A Rua Cuiabá
É uma dessas ruas pacatas
Com gente aqui e acolá;
Correndo contra o tempo,
Na luta,
Pegando na batuta
Para o pão ganhar.
Mas no fim de semana
A rua é um ponto de convergência
Com urgência
O cidadão se esquece da vida,
Da luta sofrida,
Mesmo com canseira,
Pega a mulher e a prole
E vai para a feira.
Ah! É da feira que eu quero falar,
Gente de todo lugar,
Uns para fazer um bico
E não “pagar o mico”
De ver o pão faltar;
Outros que não querem nem saber,
Vão é festar.
Na barraca de Dona Ana
Pede-se um caldo de cana;
Na pastelaria do Bem Bom
Pedem: um de frango! Um de queijo!
Enquanto não sai,
Olha para a amada,
Tasca-lhe um beijo;
A molecada esfrega as mãos,
E com emoção dá a primeira mordida.
A feira não tem etnia,
E nesta via,
Tem gente de olhos puxados,
Outros de crânios achatados,
De ritmos mil,
De todos os cantos do Brasil.
A feira é uma miscelânea,
Uma coletânea de raças
Que com raça vencem o ardil.
Bem, a feira não é eterna,
E com uma voz terna
A esposa chama:
É hora de ir para a cama.
Que pena! Acabou.
Mas tem mais
No próximo final de semana!
O livro é uma coletânea de poesias e prosas do 1º Concurso Literário de Dourados. Ali, entre várias poesias que falavam da minha cidade, encontrei uma que me tocou profundamente. O Autor chama-se Aldair Lucas e o nome da poesia é “A Feira”.
Todo Sábado e Domingo acontece, em Dourados, uma Feira na rua Cuiabá, a maior feira de alimentos da cidade. A Feira recebe a visita de centenas de pessoas, que vão comprar o alimento para o almoço do final de semana em família. Outros vão apenas para aproveitar a feira, comer pastéis e outras guloseimas servidas nas barraquinhas dos Japoneses, ou mesmo passear com a família, o que já é muito gostoso.
Eu, particularmente, tenho uma forte ligação com a Feira da Cuiabá, porque, namorei uma garota que morava na rua da feira, bem no miolo. Naqueles três anos freqüentei a feira todo o final de semana, já que tinha que passar por ela para chegar na casa da namorada. Às vezes a feira era um estorvo: meninos pedindo um troco para cuidar o carro; dificuldade de chegar no meu destino, desviando das barracas e das pessoas; o cheiro forte de verduras e frutas passadas jogadas no chão. Mas, em outras vezes, era gratificante. Quando queríamos comer churros quentinho, ou Cuca feita na hora, era só atravessar a rua. E, na feira, eu fazia amizades e encontrava colegas que aproveitavam a tarde nas barraquinhas.
O namoro acabou, mas a Feira continua lá, perseverante. Guardo com saudades aqueles anos em que a Feira fazia parte da minha vida semanalmente.
A poesia da Feira me sensibilizou tanto, que entrei em contato com o escritor Aldair Lucas, para publicar sua poesia em meu site, pois, infelizmente, poucas pessoas têm acesso ao livro do Concurso.
Deliciem-se.
Tenho certeza que muitos de vocês vão querer visitar a Feira de sua Cidade.
A Feira
A Rua Cuiabá
É uma dessas ruas pacatas
Com gente aqui e acolá;
Correndo contra o tempo,
Na luta,
Pegando na batuta
Para o pão ganhar.
Mas no fim de semana
A rua é um ponto de convergência
Com urgência
O cidadão se esquece da vida,
Da luta sofrida,
Mesmo com canseira,
Pega a mulher e a prole
E vai para a feira.
Ah! É da feira que eu quero falar,
Gente de todo lugar,
Uns para fazer um bico
E não “pagar o mico”
De ver o pão faltar;
Outros que não querem nem saber,
Vão é festar.
Na barraca de Dona Ana
Pede-se um caldo de cana;
Na pastelaria do Bem Bom
Pedem: um de frango! Um de queijo!
Enquanto não sai,
Olha para a amada,
Tasca-lhe um beijo;
A molecada esfrega as mãos,
E com emoção dá a primeira mordida.
A feira não tem etnia,
E nesta via,
Tem gente de olhos puxados,
Outros de crânios achatados,
De ritmos mil,
De todos os cantos do Brasil.
A feira é uma miscelânea,
Uma coletânea de raças
Que com raça vencem o ardil.
Bem, a feira não é eterna,
E com uma voz terna
A esposa chama:
É hora de ir para a cama.
Que pena! Acabou.
Mas tem mais
No próximo final de semana!
Aldair Lucas é professor e escritor em Dourados-MS. Escreve sobre coisas da terra, priorizando o regional. Seus textos e poesias são indispensáveis!
Se quiserem ler mais textos do escritor Aldair Lucas entrem no site Recanto das Letras pelo endereço:
http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=27914
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http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=27914



