O som do silêncio

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Uma vez experimentei o silêncio como nunca tinha experimentado. Já percebeu como é raro estarmos rodeados de silêncio absoluto? Vivemos em um mundo repleto de ruídos constantes.
Pois naquela oportunidade experimentei e, confesso, fiquei horrorizado.

Não consegui coexistir em harmonia com o silêncio. Simplesmente não estava acostumado.
Eu morava em São Paulo, capital, no ano de 2006. Estava estudando artes plásticas e, depois de morar 3 meses na casa de um amigo, precisei procurar um lugar que fosse meu.
Respondi a um anúncio de uma senhora idosa que alugava um quarto nos fundos.
O quarto era perfeito para mim e logo fiz a mudança das minhas roupas, livros e de um colchão inflável. Era tudo que eu tinha e, mesmo assim, estava radiante.

Fiz a mudança com a ajuda da minha maior mochila, aquela que me acompanhou em muitas viagens longas pela América Latina. A mudança levou três viagens de metrô, da estação Santa Cruz até Santana. Quando finalmente me encontrei sozinho dentro do quarto, cholchão de ar cheio forrado com um lençol já usado, deparei-me com o silêncio aterrorizador! Se tivesse um rádio ou TV tinha ligado, mas não tinha em mãos nada que produzisse som e me tirasse daquele silêncio. Era eu, o colchão, as roupas dentro de duas caixas de papelão encontradas no caminho, e uma mesa de bar que a dona do quarto me arrumou.

O silêncio durou sete dias e eu tinha medo de regressar ao quarto no final da tarde.

Já parou para pensar como o silêncio é perturbador para nós, seres humanos criados no barulho constante das máquinas, mídias, carros etc?
Sei que algumas pessoas gostam de momentos de silêncio, mas acho que são exceções. A maioria prefere o ruído da modernidade. Há aqueles que até dormem com o rádio ou a TV ligada.

Enquanto pensava em escrever esse texto, me veio a mente a música de uma dupla de Folk Rock dos anos 60, Simon & Garfunkel, chamada o Som do Silêncio.
A dupla chamava a escuridão e o silêncio de “velhos amigos”. Diziam que o silêncio cresce como um câncer na barulhenta sociedade moderna.

(Trecho da música Som do Silêncio)
“Ah Tolos, digo eu, vocês não sabem
O silêncio como um câncer cresce
Ouçam as palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender
Mas minhas palavras
Como silenciosas gotas de chuva caíram
E ecoaram no poço do silêncio”

O silêncio, para a maioria das pessoas, é como um câncer, algo indesejado. Muitos não suportam estar sozinhos com seus próprios pensamentos. Creio que minha aversão ao silêncio naquele quarto tinha a ver também com a solidão. Hoje utilizo do silêncio quando preciso pensar e criar, mas logo quando termina o processo de criação, ligo a som.

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Plus:

Simon and Garfunkel foi uma conhecida dupla norte-americana de folk-rock dos anos de 1960, formada por Paul Simon e Arthur 'Art' Garfunkel. Os dois se conheceram ainda no colégio, em 1953, quando interpretaram em uma encenação de Alice no País das Maravilhas, em que Simon interpretava o Coelho Branco e Garfunkel como o Gato de Cheshire).
Leia mais sobre a vida da dupla

Assista ao vídeo, o Som do Silêncio, ao vivo com Simon & Garfunkel.



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Ouça a gravação original, não precisa baixar, só apertar play.

=] - The sound of silence


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Leia a letra da música em inglês,

e sua tradução em português.

5 comentários

Anônimo disse...

Depois de ler o texto, abaixei a tv.... mas o som do ventilador continuava,comecei a digitar e o som das teclas apareceram. É...é difícil encontrar o silêncio, nas raras vezes que o encontro me incomodo...até porque minha mente parece nunca ficar calada. ontem mesmo queria dormir mas fica pensando, cérebro barulhento! aí liguei a tv, pois talvez com o foco em outra coisa minha mente se distraisse, se calasse eu eu pudesse dormir...é o silêncio não é fácil. Mas é necessário.Acho que faz bem a todos parar pelo menos um pouquinho. Na viagem a Fá falou um negócio que eu gostei "vamos valorizar o silêncio?" rs..é boa essa! Bom, vou me silenciar, não sem antes dizer que amei o texto. Lembrei desses momentos que vc viveu longe e também pensei. é (sempre) bom passar por aqui. Miriam

14 Janeiro, 2009
Teste disse...

E ai cunhado ...

só nas meditações hahahaa..

fico bom o texto ..mesmo eu nao gostando de meditar..

abraçoow

20 Janeiro, 2009
Leandro Gonçalves (Le) disse...

A idéia do silêncio está correlacionada com a idéia de estarmos na companhia de nós mesmos.
Quando estamos em silência podemos ter uma percepção melhor de nós mesmos, dos nossos pensamentos, sentimentos e uma melhor visão da situação da nossa vida. E isso pra muita gente é pertubador, pq muitas pessoas fogem de si mesmas, não suportam a própria companhia.
Mas ouvir o silêncio é bom, e aprendemos dele muito mais do que com a "barulhera" dessa nossa louca vida moderna !

20 Janeiro, 2009
Ricardo disse...

Muito bom esse post, Tug.
Sou do time que gosta de barulho. Só consigo estudar com tv ou som ligado, durmo com o barulho da TV.
Lembra quando fomos para a Praia, e nao suportei a ideia de ficar dias em um lugar sem acesso a noticias, informaçao. Saí pelas ruas e so voltei com uma TV locada. O pessoal criticou mas na hora do Jornal Nacional nosso apê lotou...
Mas tambem faço questao de ter momentos em silencio, e nesses momentos alem de colocar as ideias em ordem, Deus tem exclusividade em minha vida. O Espirito Santo vai mostrando os problemas que tenho que tratar, as decisoes que tenho que tomar, e são nos momenos de absoluto silencio em que a Adoraçao se torna mais presente.

25 Fevereiro, 2009