“As Universides das Modelos”

segunda-feira, 9 de março de 2009


Em Dourados, Mato Grosso do Sul, existe uma Universidade que espalhou vários outdoors pela cidade para fazer propaganda de seu vestibular. Neles figura uma modelo brasileira muito famosa e bonita. Sempre que passo em frente a um desses outdorrs olho para a foto da modelo, ao lado da publicidade do vestibular, e penso: “realmente essa mulher é muito bonita”, e sigo meu caminho.

Acontece que, hoje parei para pensar no sentido daquela modelo na divulgação de uma Universidade. Cheguei a conclusão que não faz sentido nenhum! As modelos, com seus corpos perfeitos e rostos deslumbrantes, servem para tornar o produto ainda mais apresentável. Roupas, colares, carros e muitas outras coisas. Mas, as Universidades são lugares para a obtenção do conhecimento. É nelas que os alunos ingressam em busca de uma formação, com o intuito de conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho.

Mas eu pergunto a vocês, porque a Universidade escolheu logo uma pessoa cuja profissão não exige diploma universitário? Eu reconheço que a profissão de modelo é uma profissão séria e muito estafante. Para ser modelo a mulher precisa abrir mão da adolescência e da vida em família. Uma modelo tem uma agenda tumultuada, trabalha até altas horas e têm uma curta carreira, pois, depois de certa idade não recebem tantas ofertas de trabalho como quando eram novas.

No entanto, estamos falando de uma Universidade. Por exemplo, por mais que eu considere o Lula um bom presidente, não faria vestibular em uma Universidade onde ele seria o garoto propaganda.

Isso tudo me fez refletir em como a maioria das Universidades tornaram-se apenas negócios. A prova disso é como tentam vender seu produto como se fosse latinhas de cerveja, usando a mulher bonita e gostosa como garota propaganda. O ensino nessas academias, geralmente, é ruim e nós nos sujeitamos a isso, pois necessitamos do diploma. Outro motivo é que as boas faculdades públicas não têm vagas suficientes e muitas delas estão em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Para a maioria dos Douradenses é inviável sair da cidade e deixar emprego e moradia com a família.

Eu, sinceramente, não vejo melhores horizontes para o ensino nas Universidade, uma vez que, até mesmo o Governo, em sua reforma universitária, preferiu o caminho mais fácil, que é pagar vagas nas universidades das “garotas propagandas Modelos”, no lugar de construir melhores pólos Universitários, garantindo mais vagas em boas Universidades. Não sei se estas Universidades formarão bons profissionais, mas com certeza farão ótimos marqueteiros e destes, não sei se precisamos em tão grande número.

2 comentários

Eliane disse...

A educação passou a ser um bem mercantil, uma moeda de troca entre indivíduos e organizações comerciais nacionais ou transnacionais. Bem observada, Tiago, a relação de beleza e sucesso vista por esse prisma.

11 Março, 2009
Fabiana disse...

Nota-se, hoje, que muitas Instituições Privadas são comandadas por acionistas cujo o capital financia esta "educação". São administradores e não educadores. Portanto, a visão de custo-benefício e lucros é a única aceita. Concordo plenamente com a Eliane.

11 Março, 2009