
Esta é a estória de Rosinha e Luizinho.
Quando pequena, Rosinha observava sua mãe com os afazeres da cozinha. Logo pediu a mamãe um kit panelinhas de presente, para, ao lado da mãe, brincar de comidinha.
Luizinho, que morava do outro lado da rua, foi logo ensinado pelo pai que deveria vencer na vida. Era levado para os compeonatinhos de futebol do bairro e era cobrado impetuosamente para “chutar a bola, atacar bem e fazer o gol”. Quando seu time ganhava, tinha sorvete, pipoca e muita festa. Quando perdia, voltavam em silêncio para casa.
Para rosinha, ganhar não era tão importante. Ela tinha aprendido a dividir para fazer amigos. No aniversário, ganhou um fogãozinho de plástico, uma vassourinha e, no natal, uma casinha de bonecas. Já tinha aprendido seu lugar na vida, queria ser igual a sua mamãe, prendada e servil. Percebia como a mãe ficava apreensiva quando o almoço atrasava e estava próxima a chegada do pai, apreensão que gerava um medo em toda a casa.
Na escola, Luizinho aprendeu com seus amiguinhos a desenvolver a violência. Envolvia-se nas brigas no pátio central, aprendia a revidar em linguagem pornográfica e conheceu o sexo nos troca-trocas do banheiro da escola. Desde cedo aprendeu que o sexo pode ser tomado e que é um direito do homem. Em casa ganhava de presente arminhas de brinquedos, metralhadoras e “homenzinhos” vestidos de soldados. Fora criado para dominar o mundo.
Rosinha e Luizinho já se conheciam das brincadeiras de rua, dos esconde-esconde e das queimadas, mas se conheceram mesmo quando freqüentaram a mesma classe do colegial. Iniciaram um namoro às escondidas. Desde logo Luizinho quis se relacionar sexualmente, mas, ante a negativa de Rosinha, ele a forçou em um ímpeto animalesco. Bastou apenas uma vez para que ela ficasse grávida e, quando tomou coragem para contar aos seus pais, papai decidiu que o melhor seria casar com Luizinho, já que ele estava disposto. A mãe disse que era o melhor para as aparências e que seria muito difícil para uma mulher criar um filho sozinha.
Casaram. Luizinho conseguiu ingressar na faculdade e galgar um bom emprego que dava para o sustento. Rosinha não pôde estudar por causa das crianças, que agora já eram duas. O sexo sempre foi uma obrigação. Luizinho sentia-se no direito de transar com sua esposa sempre que quisesse e isso acontecia a qualquer custo, sub coação moral ou física. Sempre que precisava comprar algo para si, Rosinha precisava pedir dinheiro ao marido, o que lhe causava grande humilhação.
A violência física continuou por muitos anos, mas, como lhe ensinou a mãe, brigas eram assuntos para serem tratados na intimidade da casa. Até mesmo na igreja que freqüentava os pastores lhe diziam para perdoar o marido e preservar o seio familiar, mesmo com o custo do seu próprio corpo. Levou 14 anos para Rosinha ter coragem para denunciar Luizinho por agressão.
Agora Rosinha encontra-se sozinha, com dois filhos, sem educação e profissão que lhe baste para o sustento da nova família. Sente-se sem nome, sem igreja, sem homem, sem sonhos, sem carinho. É infeliz.



4 comentários
Triste! Mais triste ainda é saber que em pleno ano 2009, quando muitos acreditavam que os carros seriam substituidos por veículos voadores, ainda vivemos esta realidade. Mande para os jornais Namo, é um assunto que vão publicar! Parabéns!
23 Setembro, 2009Parabens garoto...oh...Achei interessante.....cheio de dilemas sobre valores entre os gêneros....escreve mais....abraço
23 Setembro, 2009Olá mano, parabéns cara por esse conteúdo tão edificante, que constrói em nós um caráter virtuoso. Preocupado com o direito e respeito a que devemos ostentar em cada um de nós, de entre nós os seres humanos.
23 Setembro, 2009Por favor, posso usá-lo em um dos meus sermões mano?
Bom texto. Uma novela da vida real. Mas, cai no lugar-comum de criticar os pastores, sem especificar a que "pastores" se refere. Se no passado foi assim (não tenho conhecimento disso) hoje em dia, dificilmente acharemos um pastor batista que aconselhe uma mulher a ficar sob o mesmo teto de um assasino em potencial. O que a maioria dos pastores batistas nao aceitamos é divorcio por "incompatibilidade de genios" que na maioria das vezes é uma disculpa para quando a paixão termina e ninguem quer fazer um esforço de entender ou ao menos aceitar as diferenças do parceiro. Mas, voltando ao assunto, faça a prova (voce batista) com o seu pastor, pergunte e verá... Além do mais, o pulpito batista tem feito que nas igrejas de classe media, homens e mulheres estudem por igual, assim temos advogadas, medicas, jornalistas, etc e nunca as incentivamos a esperar um marido que as mantenha. Já nas igrejas batistas "populares" verifique nas mocidades e verá que os que nao estudam em sua maioria são os homens.
23 Setembro, 2009Pr. Edu
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