O Brasil revelado pelos assessores dos políticos
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Blackout Subtitled from Daniel Rezende on Vimeo.
Dirigido por Daniel Rezende, montador de vários filmaços brasileiros (Cidade de Deus, Tropa de Elite...). Em "Black-out" (2007), dois assessorezinhos merrecas de deputado- interpretações magistrais de Augusto Madeira e Wagner Moura- fumam um baseado no final do expediente e nos revelam o Brasil. É a maconha revelando como se faz política no Brasil.
Big Brother, show de realidade ou programa de vendas?
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os programas de televisão inseriram anúncios e propagandas em todos os momentos da sua programação.
O intervalo comercial já não é suficiente para o apetite voraz das redes de televisão e das empresas que pretendem vender seus produtos. O que se evidencia, é que o objetivo principal das emissoras de TV é o lucro exorbitante e sem compromisso com uma programação de qualidade.
Vejamos, por exemplo, os programas de auditório nos finais de semana, onde o apresentador permanece de 3 a 4 horas no ar e interrompe a programação de 10 em 10 minutos para apresentar as um produto. Eles dizem, “Vou dar um recadinho para vocês”, e desandam a falar das vantagens maravilhosas de um produto que não se sabe como vivemos sem ele até agora.
Até mesmo as novelas passaram a inserir em seus enredos campanhas onde as atrizes interagem com os produtos.
A televisão brasileira virou um grande shoptime com um pouco de entretenimento como desculpa para atrair mais consumidores.
O exemplo mais atual é o Big Brother. Tudo ali parece um pretexto para anunciar um produto. As provas do tal “jogo” são feitas com o objetivo dos “brothers e sisters” interagirem com os produtos e os promoverem.
Para tanto vale tudo, vestir os participantes de picolé, de esponja de a lavar louça, colar os participantes de cabeça para baixo pelos pés para promover uma super cola, e por aí vai. Parece que não há limites para o anunciante e seus produtos.
Os participantes não parecem seres humanos, mas sim macacos performáticos aos serviços dos anunciantes, promovendo seus produtos com suas macaquices.
O programa ofende nossa inteligência quando é chamado de “show de realidade”, enquanto que de realidade não tem nada.
É evidente que o programa é roteirizado de forma que prenda a atenção dos telespectadores, com brigas primitivas e relacionamentos descartáveis. O Big Brother lucra rios de dinheiro com propagandas e com as ligações feitas pela manada inocente e manipulada que acompanha este tipo de programa.
Não é tudo que se justifica por ser “apenas entretenimento”. Até mesmo nossa diversão não pode ser descompromissada com a inteligência.
Eu não perderia meu tempo vendo uma peça de teatro onde os atores se vestissem de esponja de aço minuano ou de sorvete de picolé Kibon. Eu não veria um show de música onde o artista só executasse jingles de produtos famosos. Em uma peça de teatro, um agradecimento final a um patrocinador é aceitável, mas nada que vá além disso.
Mas porque aceitamos tudo que vem da televisão? E porque parecemos parar de raciocinar quando estamos em frente da telinha? E porque não percebemos que entretenimento descompromissado com a inteligência não é diversão sadia?
Poucos sabem que as redes de televisão não praticam uma atividade primordialmente privada. Pelo contrário, trata-se de um serviço público, ou de utilidade pública por excelência.
Como diz Vera de Oliveira N. Lopes[1], o caráter eminentemente público dessa atividade é reforçado pelo fato de ser necessária a concessão pública para operar as ondas de um canal de televisão – uma vez que o espectro eletromagnético pelo qual trafegam as ondas de rádio, televisão e outros meios de comunicação não é ilimitado. Se o Estado não disciplinasse, não exercesse e não fiscalizasse a concessão de canais de rádio e TV, a atividade seria impossível.
No entanto, no Brasil, a legislação não contribui para formar uma mentalidade, tanto do público como dos concessionários de TV. Pelo contrário, todo o esforço dos legisladores em regulamentar o serviço das redes é interpretada como censura, como se as concessionárias só tivessem direitos e não obrigações. Na verdade, as redes de Televisão têm a obrigação de prestar um serviço de qualidade, respeitando os valores éticos e sociais e não apenas atendendo aos interesses dos anunciantes.
Não devemos ser reféns dos programas e empresas que só visam o lucro e operam na “lei da selva”. Temos o poder de exigir programas inteligentes, que prezem pelo bom senso. Fujamos do entretenimento idiota, que nos trata como manada de compradores e não como seres pensantes. Devemos exigir das autoridades o controle do serviço prestado e participarmos de forma mais efetiva dessa mudança. O primeiro passo é mudar de canal ou desligar a TV.
Tiago Garcia
Referência:
[1] Vera Oliveira Nusdeo Lopes e outros. A TV aos 50. Ed. Fundação Perseu Abramo. São Paulo. P. 168.




